No final do século XIX, em 1885, João Alves de Araújo chegou à região vindo do Recôncavo baiano. Ele adquiriu um terreno limitado pelas fazendas Cachoeira, Serra Branca, Morros e Bananeira, onde construiu uma pequena casa branca, originando a atual sede do município de Andorinha. O local foi inicialmente chamado de Fazenda Gato, e João passou a ser conhecido como João do Gato.
João teve 13 filhos com sua primeira esposa, Dona Josefa. Após o falecimento dela, casou-se com Lorinda, com quem viveu até sua morte. Homem progressista e religioso, trouxe o professor Antônio Emílio para alfabetizar os filhos e demais moradores, além do vigário Tolentino, da Paróquia de Senhor do Bonfim, para celebrar missas.
Em 1919, construiu a Capela do Sagrado Coração de Jesus com a ajuda dos filhos. Após a construção, andorinhas passaram a pousar no teto da capela. O fenômeno inspirou a mudança do nome do povoado de Fazenda Gato para Andorinha, em homenagem ao Morro das Andorinhas, onde essas aves se abrigavam.
Em 1928, Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, passou por Andorinha e invadiu a casa de João do Gato em busca de dinheiro. João havia enterrado suas economias perto de um umbuzeiro e se recusou a entregá-las. Para forçá-lo, Lampião ordenou a tortura de Lorinda. Pressionado, Abílio (filho de João, que tinha deficiência mental) revelou o esconderijo. Lampião levou o dinheiro, um burrinho e raptou João, libertando-o depois de agredi-lo.
Dois anos depois, em 1930, Lampião tentou retornar à região. Porém, João Alves e seus filhos organizaram uma trincheira com os moradores, o que impediu a entrada do bando.
Em 1930, João Alves construiu com o apoio da prefeitura de Senhor do Bonfim a primeira estrada de rodagem ligando Andorinha a Bonfim, com 42 km de extensão. Em 1936, foi realizada a primeira eleição na residência de João, e no dia 26 de julho de 1936 aconteceu a primeira feira livre da cidade.
Desenvolvimento Econômico e Emancipação
A descoberta do minério cromo, em 1971, impulsionou o desenvolvimento da cidade com a chegada da Mineração Vale do Jacurici (atual Ferbasa). A empresa gerou mais de 700 empregos, trouxe energia elétrica, água encanada, posto médico, escola e incentivou o comércio e a educação. A Escola Márcio Seno, criada em 1987, é mantida até hoje pela Fundação José Carvalho.
No dia 13 de junho de 1989, Andorinha foi politicamente emancipada através da Lei Estadual nº 5.026, sendo desmembrada de Senhor do Bonfim. A primeira eleição ocorreu em 15 de novembro de 1989, elegendo Carlos Humberto de Miranda Pereira Melo como o primeiro prefeito.
O fornecimento de água é feito pela EMBASA e pelo Sistema de Abastecimento de Água (SAA) de Andorinha.
Comunidades não atendidas recebem água por caminhões-pipa.
O saneamento básico ainda é precário. O esgoto da sede é lançado no Rio Caboclo sem tratamento.
O município utiliza fossas sépticas no interior e está implantando um sistema de esgotamento dinâmico na sede.
Não há aterro sanitário. O lixo é despejado em um "lixão" a 5 km da cidade, às margens da BA-220.
Há uma associação de catadores de recicláveis, que ajuda na coleta seletiva e conscientização ambiental.
A cidade conta com postos de saúde na sede e zona rural e uma Unidade Básica de Saúde (UBS) com atendimento 24 horas.
Programas e serviços:
Quando falamos em cultura, nos remetemos a uma vasta série de compreensões sobre seu significado. A cultura é dinâmica e complexa, pois abrange o conhecimento, a arte, as crenças, as leis, a moral, os costumes e todos os hábitos e aptidões adquiridos pelo ser humano, tanto no ambiente familiar quanto na sociedade. Esta, por sua vez, está em constante modificação e reinvenção.
A principal característica da cultura é ser um mecanismo adaptativo, permitindo aos indivíduos responderem ao meio mediante mudanças de hábitos. É também um mecanismo cumulativo, no qual as modificações trazidas por uma geração são transmitidas à geração seguinte, sendo transformadas, perdidas ou incorporando novos aspectos com o objetivo de melhorar a vivência das gerações futuras.
A identidade de um povo é revelada por sua cultura. O município de Andorinha é agraciado com expressões culturais de formas mistas e místicas, fruto do grande encontro de etnias no Brasil. Há registros da presença indígena, em especial dos povos tapuias e tupinambás, além de negros escravizados e forros, e brancos portugueses. Essas expressões culturais se uniram e deram origem à identidade cultural do município. Andorinha é riquíssima em manifestações, que vão desde festas populares até expressões religiosas bastante antigas.
O Reisado é uma manifestação cultural de grande importância em Andorinha. Está intimamente ligado à religiosidade cristã e é realizado em diversas localidades do município. Acontece, geralmente, no mês de janeiro e é aberto a todas as pessoas, independentemente de idade ou etnia.
Foram identificados três tipos de Reisado:
O Reis de Palmas ocorre nas localidades de Andorinha, Fazenda Mandi, Melancia, Morro Redondo, Queimada de Cima, São Gonçalo, Sítio do Açude, Morro Branco, Terra Dura, Lagoa da Onça, Cocho, Ipueira do Macio, Lagoa do Cercado e Tigre.
A Festa dos Caretas é realizada durante o carnaval, e envolve pessoas fantasiadas com vestimentas e máscaras, tanto industriais quanto artesanais. Antigamente, a festa acontecia em um bar e era restrita a adultos fantasiados, que cantavam marchinhas de carnaval. Hoje, a festa se expandiu e tornou-se uma das expressões culturais mais esperadas do período carnavalesco.
A Quaresma é um período forte de fé no município. Durante a Semana Santa, a população participa da Via Sacra, subindo o morro em frente à cidade. À tarde, há a Adoração da Santa Cruz, e à noite, acontece o espetáculo da Paixão de Cristo, apresentado na Praça de Eventos, com ampla participação popular.
O aniversário de emancipação política de Andorinha, comemorado em 13 de junho, é celebrado com entusiasmo. As festividades incluem alvorada, maratona, corrida rústica, desfile cívico, jogos esportivos e festa dançante em praça pública, marcando um importante momento de união e identidade da população.
As Festas dos Padroeiros expressam a fé e religiosidade do povo andorinhense. Cada comunidade tem um santo ou santa como padroeiro(a), intercessor que protege e abençoa. As festas incluem novenários (nove noites de celebrações), procissões, missas e quermesses.
Dentre essas festas, destaca-se a Festa de São Pedro, celebrada em 29 de junho, com três dias consecutivos de comemoração. Surgiu em torno da fogueira do Sr. Pedro Ângelo, quando Andorinha ainda era vilarejo de Senhor do Bonfim. Hoje, conta com shows de artistas renomados e diversas expressões culturais como:
Realizada em agosto, relembra o período em que padres celebravam missas anuais em comunidades rurais. Começa com missa no Cemitério dos Morros, seguida por shows na região das Quixabeiras, próxima a uma lagoa cercada pelas árvores que nomeiam a festa.
O artesanato de Andorinha é uma expressão forte da cultura local. Destacam-se:
É uma celebração que une fé, identidade e tradição. Após uma cavalgada, os vaqueiros participam da missa em frente à igreja, usando trajes típicos (jaleco, gibão, chapéu, espora, punhal). Durante o evento, há aboios, toadas, repentes e o som do berrante.
A vaquejada é uma festa tradicional que envolve a derrubada de bois dentro de uma faixa. Além da competição, há também outras atrações:
Mistura de teatro, dança, poesia e cantoria, com personagens como:
Ritmos como samba e baião são acompanhados por zabumba, sanfona, triângulo e pandeiro, tornando essa manifestação uma das mais animadas e ricas do folclore local.
A economia de Andorinha é sustentada, principalmente, por atividades do setor primário, especialmente agricultura e pecuária. No entanto, a geração de riqueza neste setor ainda é bastante frágil. Essa fragilidade decorre da baixa produção e produtividade, causadas por índices pluviométricos reduzidos, ausência de tecnologias modernas, falta de apoio financeiro e dificuldades na comercialização. Apesar disso, essas atividades continuam sendo essenciais para garantir a subsistência, especialmente para os trabalhadores do campo.
Os setores secundário e terciário dependem diretamente dos resultados do setor primário, como a colheita agrícola e o crescimento dos rebanhos. Uma importante exceção é a atuação da Companhia de Ferro e Ligas da Bahia (FERBASA), instalada no município e ligada ao setor secundário. A empresa atua na extração e exploração de minério de cromo, o que trouxe novas perspectivas econômicas, renda e melhoria na qualidade de vida da população local, especialmente pela geração de empregos para a mão de obra do próprio município. A presença da FERBASA também promoveu mudanças significativas no padrão de vida e no comportamento da população, com reflexos positivos em toda a região.
Na pecuária, destacam-se os rebanhos de bovinos, caprinos, ovinos, suínos e aves, considerados como os mais relevantes para a economia local. Na agricultura, as principais culturas são mandioca, feijão e milho. Já o setor de bens minerais é forte produtor de cromo e ferro.
O setor comercial se desenvolve com destaque para o comércio formal, que gera emprego e renda para o município.
Segundo dados do IBGE (2018):
Em relação à renda domiciliar, 52% da população vivia com até meio salário mínimo por pessoa, o que colocava o município na 185ª posição no estado e na 990ª no Brasil.
Apesar dessas dificuldades, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 0,588 tem apresentado crescimento significativo nos últimos 19 anos, o que demonstra uma melhoria contínua na qualidade de vida da população, especialmente nos aspectos de Saúde, Educação e Renda.